Ser Semente https://sersemente.com Tue, 23 Jun 2026 22:28:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 A primavera da vida de Cora Coralina https://sersemente.com/cora-coralina-primavera-da-vida/ https://sersemente.com/cora-coralina-primavera-da-vida/#respond Tue, 23 Jun 2026 22:28:47 +0000 https://sersemente.com/?p=1185

A PRIMAVERA DA VIDA DE CORA CORALINA

Cora Coralina é uma personalidade rara, cuja biografia se revela como obra. Sua vida foi coerente, verdadeira e profundamente conectada com a natureza. Escreveu sobre tudo o que acreditava e também sobre o que desejava deixar como legado. Em suas palavras, “sua poesia era objetiva e concreta” e, em minhas palavras, de uma sensibilidade ímpar.

Durante minha Formação Biográfica, uma das tarefas a serem compridas para a certificação é a escolha de uma personalidade já falecida para ser estudada em profundidade a partir das leis biográficas que regem o desenvolvimento do ser humano. Não tive dúvidas quanto à minha escolha. Embora, na ocasião, não conhecesse a biografia de Anna Lins, que mais tarde se fez Cora Coralina, já havia sido tocada por sua poesia e, de forma intuitiva, a escolhi. Hoje percebo que o encontro com ela me modificou profundamente. Sua história calou fundo a  minha alma.

Em O caminho de Cora – Genealogia, falei um pouco de suas raízes. E no presente artigo desejo trazer informações sobre sua juventude, desde o nascimento até os seus 20 anos, período em que no aconselhamento biográfico denominamos como Primavera. Neste período da vida, o mote do ser humano é o aprender, a partir do que ele recebe do mundo externo, conforme descrito no artigo A Primavera da Vida.

PRIMEIRO SETÊNIO (0-7 ANOS)

Anna Lins dos Guimarães Peixoto nasceu no dia 20 de Agosto de 1889 na Casa Velha da Ponte que se localiza na atual cidade de Goiás. Era a segunda filha do casal Jacyntha Luiza do Couto Brandão e Francisco Lins dos Guimarães Peixoto. De Jacyntha, Aninha era a terceira filha, pois havia a primogênita que era fruto do casamento com seu primeiro marido, de quem ficou viúva antes do matrimônio com Francisco.

Um mês e 25 dias após seu nascimento o pai falece, deixando a Casa da Ponte viúva da presença masculina e dona Jacyntha com três filhas para criar em uma casa com oito mulheres.

Era um momento financeiro difícil para a família. Anna Lins nasceu um ano após a Abolição dos Escravos e a família era dependente da mão de obra escrava na ocasião. Além disso, as mulheres não tinham renda própria e Francisco, apesar de ser desembargador, não lhes deixou uma pensão. Sendo assim, passam a ser sustentadas pelo avô e irmão de Jacyntha, que naquela ocasião moravam na fazenda da família.

Casa Velha da Ponte, década de 1980 – Goiás – GO

Quando Aninha estava com 3 anos de idade, Jacyntha teve sua 4ª filha, fruto de uma relação provavelmente ilegítima. Sendo assim, a pequena menina perde o lugar de caçula e se sente bastante indesejável.

Em suas palavras: “Cresci filha sem pai, secundária na turma das irmãs. Eu era triste, nervosa e feia. Amarela de rosto empapuçado. De pernas moles, caindo à toa. Retrato vivo de um velho doente. Indesejável entre as irmãs. Sem carinho de Mãe.” Cora Coralina – Poemas dos becos de Goiás e estórias mais

Aos 5 anos, Anna é crismada e ganha da madrinha um pássaro em uma gaiola, lhe falta um vintém para comprar banana e alimentá-lo. Então, ela precisa abrir a gaiola e soltá-lo. Este episódio a marcou como um lugar de escassez. Mais tarde escreve “Vintém de cobre” e o dedica à madrinha e mestra Silvina.

Como criança, Anna não era valorizada por sua família. Ainda assim, fez do seu mundo interno algo muito bom, ao se refugiar no quintal onde entrava em contato com a terra, brincava com as formigas, com os pássaros e as plantas. Seus sentidos foram aguçados, brotou a crença no transcendente e passou a sentir a presença do seu anjo da guarda, que a acompanhou por toda a vida.

Tinha seu ‘ninho’ em Mãe Didi, ex escrava que morava com ela, entre as oito mulheres que habitavam a Casa Velha.

“Foi uma ex-escrava que me amamentou no seio fecundo. Eram seus braços prazenteiros e generosos que me erguiam, ainda rastejante, e Aninha adormecia, ouvindo estórias de encantamento. Minha madrinha Fada (...) Toda melhor lembrança da minha pueria distante está ligada a essa antiga escrava. No tarde da minha vida assento o seu nome na pedra rude do meu verso: Mãe Didi.” Cora Coralina - Poesia emoldurada na parede do quintal da Casa de Cora – Cidade de Goiás

Com relação à madrinha e mestra Silvina tinha a mais profunda gratidão, pois teve muita dificuldade para aprender a ler, sendo da turma das mais atrasadas. A mestra, entretanto, embora exigente se empenhou para que Aninha aprendesse. Com a leitura, o mundo se abriu para a pequena menina.

Casa onde morou mestra Silvina, 2009 – Goiás – GO
SEGUNDO SETÊNIO (7-14 ANOS)

Aos 7 anos é obrigada a deixar a escola, após estudar seu segundo e último livro. Mestra Silvina foi, portanto, sua única professora por dois anos consecutivos de estudo. Se encanta com a leitura e passa a viver através das histórias que lê.

Quando está com 11 anos, sua irmã mais velha casou-se e a mãe se endividou para pagar o casamento da filha. A situação financeira, que já estava difícil piora, então a família aluga a Casa Velha e muda-se para a fazenda Paraíso onde morava o avô. Lá, Anna entrou em contato com a gleba e com uma prática que a acompanharia por toda a vida: a contação de histórias que acontecia entre as mulheres que habitavam a fazenda. Houve um despertar sinestésico da menina Aninha. Onde antes, na Casa Velha, havia escassez na fazenda havia abundância de vida e de natureza. Acostumou-se a ler, além de romances, o jornal ‘Paiz’ que a mãe recebia na fazenda. Descreveu esse período na fazenda como uma época de alegria e paz. E isso fez com que ela pudesse ter contato com o belo da vida.

Currau da Fazenda Paraíso, 2009 – Mossâmedes – GO
TERCEIRO SETÊNIO (14-21 ANOS)

Com 14 anos começa, de fato, a escrever. E envia o que chamava de “seus escritinhos” aos jornais. Escrevia inspirada nos sentidos desenvolvidos com o contato com a terra.

Quando estava com 16 anos, a família retorna para a Casa Velha da Ponte e Anna ingressa de corpo inteiro à vida literária goiana. Aos 17 anos começa a frequentar o Grêmio Literário Goiano. Aos 18 anos funda, com outras quatro jovens, o semanário ‘A Rosa’ em papel cor-de-rosa, veículo das ideias do movimento literário feminino em Goiás.

E aos 19 anos adota pseudônimo de Cora Coralina.

Entre 1907 a 1910 tem colunas fixas em inúmeros jornais da cidade, a exemplo das nos jornais ‘Goyaz’, ‘A Imprensa’ e ‘Triângulo Mineiro’, onde publicava contos. Publicava também no jornal ‘O Paiz’ (RJ), um dos mais importantes da época.Tem seu elogiado conto “Tragédia na roça” incluído no Anuário Histórico, Geográfico e Descritivo de GO.

Sentia-se reconhecida entre seus pares intelectuais, e não se inibia por sua formação ser teoricamente inferior, uma vez que ela só estudou dois livros na escola. Compensava este fato com o fato de ser uma leitora voraz.

Naquela época, começa a se preocupar e a se comover com os idosos e busca a espiritualidade em seus escritos. Nasce em sua alma uma Cora caridosa que lhe acompanhará no futuro.

Este foi um setênio em que ela se expressou muito através de sua máscara lírica, Cora Coralina, onde expunha suas ideias sobre a terra, preocupação com idosos, espiritismo, entre outros assuntos. Não escrevia poemas em versos com rima, mas uma prosa carregada de lirismo.

A família não incentiva sua vocação literária.

Teve um encontro importante com a amiga Leodegária, presidente do Grêmio Literário, confidente, única amiga que frequentava a Casa Velha e com quem teve inúmeras provas de solidariedade futura, embora tivessem  trajetórias pessoais e literárias opostas.

Traz em sua escrita a busca pela verdade no mundo. Escrevia sobre tudo o que gostaria de mudar, tais como as injustiças e os preconceitos. Já nesta época se preocupava e escrevia sobre os menos favorecidos, ou seja, aqueles que viviam nos becos.

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Continuaremos no próximo post, onde trarei a fase da jovem Cora Coralina e as aventuras que estão por vir no “Verão” de sua vida.

(baseado no livro Cora Coralina Raízes de Aninha de Clóvis Carvalho Britto e Rita Elisa Seda)

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O Desenvolvimento Humano [Primavera] https://sersemente.com/desenvolvimento-humano/ https://sersemente.com/desenvolvimento-humano/#comments Sat, 21 Feb 2026 13:00:00 +0000 https://sersemente.com/?p=753

FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

Gosto de pensar no ser humano como sendo um microcosmo pertencente ao macrocosmo (universo) em que está inserido, tal qual um espelho que reflete leis, estruturas e princípios que governam este universo do qual ele faz parte.

Neste sentido podemos trazer uma imagem muito bonita do seu desenvolvimento, fazendo analogia com as estações do ano.

No Aconselhamento Biográfico de base Antroposófica, podemos reconhecer as leis arquetípicas que regem a biografia humana em três das estações do ano: a Primavera, o Verão e o Outono.

Na “Primavera da Vida”, que vai dos 0 aos 21 anos, o mote é APRENDER! Nesta fase, podemos observar prioritariamente o desenvolvimento do corpo.

No “Verão da Vida”, que vai dos 21 aos 42 anos, a palavra mais apropriada é LUTAR! Neste contexto, a prioridade é o desenvolvimento da alma.

E, por fim, no “Outono da Vida”, que acontece após os 42 anos, a prioridade passa a ser a essência espiritual. A imagem das folhas que caem e começam a mostrar a árvore “nua e crua” pode representar muito bem o período em que estamos trocando vitalidade por sabedoria!

Desejo falar sobre cada uma dessas fases, mas neste post vou começar abordando a primeira das estações: a Primavera.

A PRIMAVERA NA VIDA HUMANA

A Primavera pode ser associada a tudo que nasce, cresce e floresce.

No ser humano, esta fase está relacionada ao período que vai do nascimento aos 21 anos onde podem ser percebidas mudanças significativas a cada setênio, ou seja, a cada período de sete anos.

O PRIMEIRO SETÊNIO (0-7 ANOS)

O principal acontecimento do primeiro setênio da criança é o desenvolvimento de seu corpo físico, assim como do sistema neuro sensorial e de seus sentidos básicos: tato, vital, movimento e equilíbrio.

Os sentidos básicos bem desenvolvidos na primeira infância trazem uma metamorfose adequada para sentidos superiores no futuro adulto.

Um tato bem desenvolvido na criança que brinca e experimenta diferentes texturas e temperaturas, ajuda na percepção do Eu alheio e no tato social mais adiante. Com relação ao sentido vital, se a criança aprende como é bom se sentir bem, este sentido mais tarde terá uma boa metamorfose para o sentido do pensamento e ela passará a pensar a respeito do outro e do mundo de forma altruísta. Quanto ao sentido do movimento, ao se experimentar estando segura no mundo fortalecerá o sentido das palavras e dos pensamentos que são palavras em movimento. Por fim, ao aprimorar o sentido do equilíbrio, haverá uma boa metamorfose para o sentido da audição, ajudando a pessoa adulta a ser equilibrada física e emocionalmente, aprendendo a ouvir e ponderar demandas internas e externas.

A tônica do primeito setênio é que: “O Mundo é bom!” e a criança aprende por imitação! Para que seu mundo seja realmente bom, é necessário que o ambiente físico da criança seja cuidado, assim como gestos, ações, sentimentos e pensamentos das pessoas próximas a ela. Nesta fase, ela está aprendendo por tudo o que lhe chega aos sentidos.

O SEGUNDO SETÊNIO (7-14 ANOS)

O principal acontecimento do segundo setênio da criança é o desenvolvimento de seu corpo etérico ou corpo da vitalidade, assim como do sistema rítmico e de seus sentidos medianos: olfato, paladar, visão e térmico.

O sistema rítmico é composto pelo coração e os pulmões. O movimento é de contração e expansão. Neste sentido, é preciso que seja desenvolvido um ritmo na vida da criança: hora de dormir e acordar, brincar e estudar. O ritmo é sanador!

A tônica do segundo setênio é que: “O Mundo é belo!” e a criança aprende por aquilo que a inspira!

Nesta fase, as relações são ampliadas, deixando de se restringir ao núcleo familiar e incluindo a escola e os amigos. É um tempo de trocas, regras e limites, formação de costumes e tomada de consciência dos sentimentos. A forma como nos sentimos neste setênio será a base para a nossa forma de sentir e nos relacionar ao longo da vida. Para que a criança possa perceber o belo da vida, além da necessidade dos ritmos, uma aprendizagem alicerçada em vivências artísticas, imagens e fantasia podem favorecer o despertar da devoção àquilo que é belo na vida.

O TERCEIRO SETÊNIO (14-21 ANOS)

O principal acontecimento do terceiro setênio da criança é o desenvolvimento de seu corpo astral ou corpo das emoções, assim como do sistema metabólico motor e o surgimento da puberdade.

Na adolescência, o conforto que antes era encontrado nos pais ou nas professoras e professores queridos, aqui é transferido para os grupos de amigos ou ídolos. A diferenciação sexual é notada e gera incômodos, assim como os desejos, noção de incompletude e necessidade do outro. O adolescente percebe que é capaz de pensar e vivenciar coisas muito intimas, daí a necessidade de sua privacidade, de seu quarto. Também é a fase das simpatias e antipatias, que oscilam de forma intensa.

A tônica do terceiro setênio é que: “O Mundo é verdadeiro!” e o adolescente aprende por aquilo que é coerente!

Nesta fase, cabe aos pais serem absolutamente coerentes em relação ao que falam e praticam. Os conflitos são inevitáveis, pois é durante este setênio que o adolescente começa a preparar as bases para seu voo solo na vida que virá, o que é muito bom. Entretanto, ele ainda precisa dos pais dando limites seguros e os orientando a aprender a equilibrar responsabilidade com liberdade!

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Nos próximos posts falaremos sobre o Verão e o Outono da Vida!

Adriana Pereira Duarte

(baseado no texto de Amanda Rocha da Coletânea Aconselhamento Biográfico – O que é, para quem e como acontece – ABAB)

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Cora Coralina – Genealogia https://sersemente.com/cora-genealogia/ https://sersemente.com/cora-genealogia/#comments Sat, 14 Feb 2026 13:00:00 +0000 https://sersemente.com/?p=775

O CAMINHO DE CORA

Durante minha Formação Biográfica na Trinus, uma das atividades propostas foi que deveríamos escolher uma personalidade falecida que nos inspirasse a analisar sua história de vida à luz da metodologia biográfica.

Ouvi falar que o biografado poderia nos escolher, se ouvíssemos onde o coração estava nos levando. Assim o fiz e fui escolhida por Cora Coralina.

Ao conhecer o caminho que ela percorreu, fui aprendendo gradativamente a me conectar mais profundamente com meu próprio caminho.

E hoje, honrando o que recebi de presente, desejo contar o que aprendi com ela, dividindo sua história nas “estações do ano”, conforme descrito neste artigo.

POR QUE CORA CORALINA?

Quando escolhi biografá-la não tinha, na ocasião, consciência do verdadeiro motivo, mas em minha alma havia a certeza de que seria ela. Não conhecia nada de sua biografia, apenas um pouco de sua poesia. Sabia que seu lirismo era conectado com as coisas simples e que falava muito sobre a terra, o suficiente para que me sentisse ligada aos seus valores.

A partir da escolha do meu coração, fui apresentada a Anna Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas, a Aninha, que um dia por sua própria vontade se tornou Cora Coralina.

Cora, uma mulher à frente de seu tempo, viveu muitas vidas em uma e por onde passou deixou um legado diferente. Foi mãe, ambientalista, sitiante, franciscana, militante pelos direitos humanos, cronista, poetisa consagrada e, acima de tudo, se intitulava como doceira. Tinha o trabalho como seu maior valor.

Foi alguém que, em uma jornada biográfica corajosa, no “tarde da vida, vestida de cabelos brancos” e após caminhar bastante, ouviu o chamado das pedras em busca de suas raízes, reencontrou a Aninha no porão de uma casa velha no interior de Goiás e, de mãos dadas com ela, se revelou ao mundo para ser semente.

Aos 67 anos de idade, depois de 45 anos vividos longe de Goiás, Cora Coralina retorna sozinha à casa de sua infância para reencontrar a menina que foi um dia nos porões de uma casa velha. E deste reencontro em diante, Aninha e Cora seguiram juntas.

No meu caso, reconheço um movimento similar quando aos 49 anos escolho a Formação Biográfica, um novo caminho de vida que teve a força de me reconectar com a criança que fui um dia, revisitando os porões escuros de minha biografia em busca de um talento a ser revelado que, porventura, tenha sido deixado para trás.

Pesquisar a biografia de Cora me inspira a ser corajosa quando se tratam de escolhas genuínas. Também mostra que é possível estar em sintonia com o meu propósito, sem que seja necessário fugir da realidade. Cora é, a meu ver, um exemplo do perfeito equilíbrio entre as forças do céu e da terra, entre a liberdade criativa e a força produtiva para o trabalho.

DOS REINOS DE GOYAS

Anna Lins dos Guimarães Peixoto nasceu no dia 20 de Agosto de 1889, um ano após a libertação dos escravos, na Casa Velha da Ponte em Arraial de Santana. A história da cidade e da casa em que ela nasceu misturam-se com a história de Cora Coralina.

Arraial de Santana mais tarde foi nomeada Villa Boa de Goyaz e atualmente é a cidade de Goiás. Ela remonta ao século XVIII, época de ocupação do país em busca de índios e metais preciosos. E a Casa Velha da Ponte foi quem abrigou os herdeiros do bandeirante. Dentre os descendentes do Anhanguera Filho está Vicência Pereira de Abreu, uma de suas tataranetas e trisavó de Cora Coralina.

Em 1880 a Casa Velha foi em cédula de testamento passada para Joaquim Luiz (avô de Cora).

Casa Velha da Ponte – séc. XIX – Goiás – GO
GENEALOGIA

Anna Lins foi a terceira filha de Jacyntha e a segunda de Francisco. A mãe era viúva de um primeiro casamento e casou-se com Francisco, 41 anos mais velho, com quem teve duas filhas.

Ela se reconhecia mulher goiana (bandeirante) por parte de mãe e cangaceira por parte de pai, embora não tenha convivido com ele, que faleceu um mês e 25 dias após seu nascimento.

Da mãe herdou gosto pela leitura e o fato de ser uma mulher à frente do seu tempo.

Jacyntha Luiza do Couto Brandão (1883)
Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto (1889)

Das duas bisavós herdou a longevidade: uma delas viveu até 93 anos e a outra até os 100 anos. Herdou, também, da bisavó “Vó Dindinha” a memória e o dom de contar histórias.

E por falar em história, no próximo post, trarei a infância e adolescência de Anna Lins, ou seja, a Primavera de sua vida.

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O Aconselhamento Biográfico https://sersemente.com/aconselhamentobiografico/ https://sersemente.com/aconselhamentobiografico/#comments Sat, 07 Feb 2026 13:00:00 +0000 https://sersemente.com/?p=151

O que significa o Aconselhamento Biográfico de base Antroposófica?

Trata-se de um caminho de autoconhecimento e autodesenvolvimento, cuja matéria prima é a biografia humana, analisada a partir de suas leis arquetípicas.

Nesta metodologia é possível observar o Ser Humano através de seus três aspectos: físico, anímico (ou psíquico) e espiritual. São utilizados recursos da fala, da arte e dos arquétipos.

O Aconselhador Biográfico apoia seu cliente no resgate de memórias desde o nascimento até o momento presente, observando os principais marcos de sua biografia a cada setênio, ou seja, a cada período de sete anos. Neste caminho, contempla-se a hereditariedade, observam-se temperamentos, padrões que se repetem, sombras, entre outros aspectos, de modo a formar imagens das transformações que aconteceram em sua alma ao longo da vida, enquanto a pessoa está se desenvolvendo como individualidade.

Aconselhador e cliente caminham juntos por sua história de vida até chegar no momento presente, onde são trazidas novas reflexões sobre qual futuro será construído a partir do que foi observado durante o processo. Neste momento, o autoconhecimento traz insumos para o processo de autodesenvolvimento consciente, tendo por objetivo transformar o que não é mais desejado.

O trabalho biográfico tem suas raízes na Antroposofia, palavra que deriva do grego anthropós (homem) e sophia (sabedoria). Trata-se de uma filosofia de vida que reúne os pensamentos científico, artístico e espiritual em uma unidade que procura ir de encontro às indagações do homem moderno sobre si mesmo e sobre suas relações com o universo.

Elaborada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925) , a Antroposofia também é conhecida como ciência espiritual, uma vez que se interessa pelos processos físicos abordados pelas ciências naturais e a amplia, quando procura compreender os processos que não podem ser materialmente mensuráveis.

Steiner foi uma personalidade que, embora tenha se graduado em ciências exatas, tinha múltiplos interesses e um senso de observação aguçado. Seu interesse extrapolava os limites da área de exatas, chegando na área de desenvolvimento humano e da saúde. Sua obra compreende 350 volumes, sendo 49 com seus livros e escritos, e o restante com mais de 6.000 palestras transcritas, abrangendo temas, tanto esotéricos como práticos. A partir de sua visão de mundo antroposófica, Rudolf Steiner desenvolveu novos conceitos práticos para diferentes áreas. Isso inclui a arquitetura antroposófica, educação Waldorf, medicina antroposófica, farmácia antroposófica e euritmia.

Baseado nos conceitos trazidos por Steiner, um dos grandes precursores do Aconselhamento Biográfico foi Bernard Lievegoed (1905-1992), Lievegoed, médico psiquiatra e escritor holandês, que sistematizou a metodologia biográfica. Ele também é conhecido por estabelecer uma teoria de desenvolvimento organizacional e fundou o NPI (Instituto Pedagógico dos Países Baixos), que trabalha ajudando organizações e indivíduos a atingir seus objetivos econômicos, sociais e culturais.

Lievegoed acreditava que “um homem é rico quando tem muitos relacionamentos e ajuda muitas pessoas.” Foi um homem de ação e acreditava que a Antroposofia precisava ir além das palestras, era necessário se relacionar com os problemas reais das pessoas para ajudá-las.

No Brasil, a médica Gudrun Burkhard (1929-2025) , também uma mulher de ação, foi pioneira ao trazer o impulso de Lievegoed para o país, sendo autora de vasta obra. Em 1993, ajuda a fundar a Associação Internacional para o Trabalho Biográfico, e neste mesmo ano inicia a formação em aconselhamento biográfico no Brasil.

TRINUS FORMAÇÃO BIOGRÁFICA - MÓDULO 6

A partir daí, quatro escolas biográficas se constituíram, reconhecidas pela ABAB (Associação Brasileira de Aconselhadores Biográficoa) , sendo elas:

 

Dra Gudrun falava: “Seu mestre é sua própria vida.  Ao tomar a vida nas próprias mãos, a pessoa define o caminho para onde vai, e não é mais a vida a levá-la”.

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Até o próximo post!

Adriana Pereira Duarte, Aconselhadora Biográfica em Certificação pela Trinus.

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