O CAMINHO DE CORA
Durante minha Formação Biográfica na Trinus, uma das atividades propostas foi que deveríamos escolher uma personalidade falecida que nos inspirasse a analisar sua história de vida à luz da metodologia biográfica.
Ouvi falar que o biografado poderia nos escolher, se ouvíssemos onde o coração estava nos levando. Assim o fiz e fui escolhida por Cora Coralina.
Ao conhecer o caminho que ela percorreu, fui aprendendo gradativamente a me conectar mais profundamente com meu próprio caminho.
E hoje, honrando o que recebi de presente, desejo contar o que aprendi com ela, dividindo sua história nas “estações do ano”, conforme descrito neste artigo.
POR QUE CORA CORALINA?
Quando escolhi biografá-la não tinha, na ocasião, consciência do verdadeiro motivo, mas em minha alma havia a certeza de que seria ela. Não conhecia nada de sua biografia, apenas um pouco de sua poesia. Sabia que seu lirismo era conectado com as coisas simples e que falava muito sobre a terra, o suficiente para que me sentisse ligada aos seus valores.
A partir da escolha do meu coração, fui apresentada a Anna Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas, a Aninha, que um dia por sua própria vontade se tornou Cora Coralina.
Cora, uma mulher à frente de seu tempo, viveu muitas vidas em uma e por onde passou deixou um legado diferente. Foi mãe, ambientalista, sitiante, franciscana, militante pelos direitos humanos, cronista, poetisa consagrada e, acima de tudo, se intitulava como doceira. Tinha o trabalho como seu maior valor.
Foi alguém que, em uma jornada biográfica corajosa, no “tarde da vida, vestida de cabelos brancos” e após caminhar bastante, ouviu o chamado das pedras em busca de suas raízes, reencontrou a Aninha no porão de uma casa velha no interior de Goiás e, de mãos dadas com ela, se revelou ao mundo para ser semente.
Aos 67 anos de idade, depois de 45 anos vividos longe de Goiás, Cora Coralina retorna sozinha à casa de sua infância para reencontrar a menina que foi um dia nos porões de uma casa velha. E deste reencontro em diante, Aninha e Cora seguiram juntas.
No meu caso, reconheço um movimento similar quando aos 49 anos escolho a Formação Biográfica, um novo caminho de vida que teve a força de me reconectar com a criança que fui um dia, revisitando os porões escuros de minha biografia em busca de um talento a ser revelado que, porventura, tenha sido deixado para trás.
Pesquisar a biografia de Cora me inspira a ser corajosa quando se tratam de escolhas genuínas. Também mostra que é possível estar em sintonia com o meu propósito, sem que seja necessário fugir da realidade. Cora é, a meu ver, um exemplo do perfeito equilíbrio entre as forças do céu e da terra, entre a liberdade criativa e a força produtiva para o trabalho.
DOS REINOS DE GOYAS
Anna Lins dos Guimarães Peixoto nasceu no dia 20 de Agosto de 1889, um ano após a libertação dos escravos, na Casa Velha da Ponte em Arraial de Santana. A história da cidade e da casa em que ela nasceu misturam-se com a história de Cora Coralina.
Arraial de Santana mais tarde foi nomeada Villa Boa de Goyaz e atualmente é a cidade de Goiás. Ela remonta ao século XVIII, época de ocupação do país em busca de índios e metais preciosos. E a Casa Velha da Ponte foi quem abrigou os herdeiros do bandeirante. Dentre os descendentes do Anhanguera Filho está Vicência Pereira de Abreu, uma de suas tataranetas e trisavó de Cora Coralina.
Em 1880 a Casa Velha foi em cédula de testamento passada para Joaquim Luiz (avô de Cora).
GENEALOGIA
Anna Lins foi a terceira filha de Jacyntha e a segunda de Francisco. A mãe era viúva de um primeiro casamento e casou-se com Francisco, 41 anos mais velho, com quem teve duas filhas.
Ela se reconhecia mulher goiana (bandeirante) por parte de mãe e cangaceira por parte de pai, embora não tenha convivido com ele, que faleceu um mês e 25 dias após seu nascimento.
Da mãe herdou gosto pela leitura e o fato de ser uma mulher à frente do seu tempo.
Das duas bisavós herdou a longevidade: uma delas viveu até 93 anos e a outra até os 100 anos. Herdou, também, da bisavó “Vó Dindinha” a memória e o dom de contar histórias.
E por falar em história, no próximo post, trarei a infância e adolescência de Anna Lins, ou seja, a Primavera de sua vida.
Encerrando o artigo, fica o convite para que você se inscreva na nossa newsletter, acompanhe-nos no Facebook e Instagram, e volte sempre para ler outros artigos publicados aqui no Blog Ser Semente.
Fique conosco!



Aguardando o próximo post 🥰
Logo você conhecerá a “Primavera” da vida de Cora Coralina, minha amiga!